Em Oiapoque - Amapá, Exploração de Petróleo Atrai Brasileiros
- 14/01/2026
Há 35 anos, a paraense Sheila Cals decidiu cruzar o rio Oiapoque, no extremo norte do Brasil, para poder oferecer uma vida melhor aos filhos, na Guiana Francesa, o território francês que faz fronteira com o Estado do Amapá. Mas em Caiena, a capital franco-guianense, a costureira de 69 anos começou a ouvir de amigos há cerca de dois anos que era a hora de voltar ao Brasil - mais especificamente à cidade de Oiapoque (AP). Ela achou que era mesmo a hora.
Ela se refere ao boom econômico com a exploração de petróleo nos países vizinhos - uma esperança presente nos novos e velhos moradores dessa cidade do Amapá de 30 mil habitantes, ligada à capital, Macapá, por quase 600 km de estrada, 100 deles sem asfalto. Na ponta mais ao norte do Brasil, Oiapoque é o município mais próximo da chamada bacia da foz do rio Amazonas, na Margem Equatorial, onde a Petrobras iniciou a prospecção para exploração de petróleo em águas profundas.
Autorizada pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) em outubro após anos de expectativa e de embates dentro do próprio governo Lula sobre o impacto ambiental do projeto, a Petrobras deve seguir as pesquisas até março de 2026, para saber se a exploração de petróleo ali, a 150 quilômetros da costa, é economicamente viável.
Em 6 de janeiro, a Petrobras interrompeu a perfuração do poço após identificar vazamento de um fluido usado para limpar e lubrificar a broca que auxiliava na perfuração. A empresa não informou quando retomará os trabalhos. Caso a exploração de petróleo se concretize, cidades litorâneas do Pará e Amapá, especialmente Oiapoque, devem receber os royalties, num fluxo de dinheiro inédito ali.
Os recursos são uma compensação financeira paga pelas empresas produtoras, no caso a Petrobras, como remuneração pela exploração de recursos não renováveis. A cidade que mais recebe royalties no Brasil, Maricá (RJ), arrecadou R$ 2,6 bilhões em 2025. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a exploração da Margem Equatorial pode elevar o PIB do Amapá em até 61,2%, além de gerar cerca de 54 mil empregos diretos e indiretos. O Amapá é hoje o Estado com o terceiro menor PIB do Brasil, à frente apenas de Acre e Roraima.







